Pelas conversas telefônicas que ocorreram no dia seguinte (26 de fevereiro de 2018), pode-se saber que o falecido levou as drogas para a casa do Réu 1 pela manhã, quando foi o Réu 2 quem informou a namorada do Réu 1 (e não, pois ele alegou ter sabido apenas pelo Réu 1 – ligue 10-43-15); e que o falecido posteriormente coordenou a reunião com os réus e pediu para garantir que o dinheiro fosse transferido para ele (liga para 18-35-31, 21-44-49) - Uma reunião que terminou com a morte do falecido.
Após a conversa entre os réus das 21:27 sobre o falecido e sua família, da qual é possível saber da existência de planejamento prévio, várias conversas telefônicas ocorreram entre eles para descobrir quando o réu 2 deveria chegar à casa do réu 1; e em certo momento uma conversa estranha ocorreu entre eles, na qual o réu 2 perguntou ao réu 1 sobre luvas e foi informado que "está tudo bem" (conversa 22-36-06). A última conversa entre o Réu 1 e o falecido em 27 de fevereiro de 2018, às 01h46, na qual o falecido informou que havia terminado o trabalho e chegaria em até 40 minutos, também pode indicar a existência de planejamento, já que o Réu 1 novamente pergunta ao falecido se ele está sozinho (Conversa 46-01-25).
O Comportamento dos Réus Após o Incidente
A conduta dos réus após o incidente, como se deduzme tanto de suas declarações, quanto de seus depoimentos diante de nós e das provas adicionais apresentadas neste caso, parece ser bem pensada, determinada e bem planejada. Isso começou com eles caminhando uma distância de quilômetros para comprar combustível (como pode ser visto na reconstrução do Réu 1 e do Mapa P/21), enquanto escondiam seus casacos nos arbustos (como também documentado pelas câmeras de segurança); Você voltou ao local com o bidão cheio, tentando mover o veículo do lugar e incendiá-lo enquanto o falecido estava dentro, após levar seus pertences pessoais, para não permitir que ele fosse identificado; Recolher os casacos no mesmo lugar onde os deixaram e, depois, esconder o restante dos pertences e objetos manchados de sangue do falecido, em locais separados, muito distantes uns dos outros e do local do incidente. Essa conduta calculada contrasta fortemente com as alegações dos réus de que agiram por pressão e ansiedade, que não pensaram direito e, portanto, não tentaram pedir ajuda para o falecido, ou com a alegação do réu 1 de que agiu sob influência de drogas e álcool. Nesse contexto, deve-se notar que o depoimento de Liav Ben Hamo também indica que, quando o réu 2 entrou na loja "Amarela" para comprar uma lanterna, ele se comportou normalmente e não pareceu nervoso.