Mais importante ainda, nenhuma prova positiva foi apresentada que permita concluir que, além daquela reunião organizada pelo réu, o réu também esteve envolvido, pela segunda vez, que Ben-Eliezer ajudou a obter um visto e, de qualquer forma, segundo o depoimento de Binyamin Ibn Tzur, ele entendeu que foi na verdade Eskin quem entrou em contato diretamente com Ben-Eliezer naquela segunda ocasião.
- A partir de agora, a assistência que Ben-Eliezer deu à B&E foi localizada, e tudo o que foi comprovado equivale a dois "auxílios" concedidos em 2007 e 2008 (de dezenas de vistos recebidos pelos funcionários da empresa ao longo dos anos). É importante notar que, segundo o depoimento de Eskin, não há razão para não aceitá-lo nesse caso, o problema de obter vistos surgiu novamente entre 2008 e 2009, de modo que, mesmo que houvesse um sentimento entre os funcionários da empresa (e especialmente Eskin) de que a intervenção de Ben-Eliezer foi eficaz, na prática parece que sua intervenção ajudou apenas localmente nesses dois casos. Em janeiro de 2011, eclodiu a revolução egípcia e, de qualquer forma, funcionários de empresas israelenses não puderam entrar no Egito e, apesar disso, a empresa continuou ativa, em outras áreas, continuou lucrativa, e certamente em nenhum momento foi alegado que havia colapsado ou estava próxima disso.
Veja, nesse contexto, o depoimento de Eskin em Prov. p. 97, parágrafo 24, assim como sua carta ao Cônsul Egípcio de 19 de fevereiro de 2009, na qual ele reclama das várias recusas em receber vistos e solicita que o Cônsul trate desse problema (P/1). Presume-se que, por mais significativa que a assistência de Ben-Eliezer em 2008 tenha sido significativa e levado à resolução do problema, como pode ter sido entendido pelo depoimento de Eskin no interrogatório principal, Eskin não foi obrigado a escrever essa carta já em 2009.
- No contexto do exposto acima, e em complemento à minha determinação de que a atividade no Egito foi significativa para a B&E, não é possível determinar, nem mesmo aproximadamente, que a assistência específica de Ben-Eliezer "salvou a empresa do colapso" ou declarações semelhantes detalhadas nos resumos da acusação, e, em qualquer caso, não foi provado que Ben-Eliezer auxiliou a empresa "sempre que necessário", conforme declarado na acusação.
Essa conclusão também é consistente com o depoimento de Eskin em seu contra-interrogatório ao advogado do réu – o advogado Sassi Gaz: