A responsabilidade do anunciante e do estabelecimento é alimentada por diversas fontes. Embora a responsabilidade do anunciante derive do conteúdo da própria publicação e geralmente se baseie em uma ação em virtude da Lei de Proibição de Difamação, a responsabilidade da instituição decorre da falha em remover a publicação e das justificativas legais para isso (e discutiremos as fontes legais da responsabilidade posteriormente). São círculos diferentes e distintos de responsabilidade, e cada um deles se sustenta por si só.
Em outras palavras, no que diz respeito à responsabilidade legal pela publicidade, o fato de a parte lesada não ter processado o anunciante, mas apenas o estabelecimento, não anula a causa de ação contra o estabelecimento.
No entanto, acrescento que esse fato pode ter significado em termos de danos, especialmente em casos em que foi provado que a parte lesada sabe quem é o anunciante e, mesmo assim, optou por processar apenas o establishment por não remover a publicação.
- Sobre o mérito da reivindicação. Acredito que não foi provado de forma alguma, no nível exigido pelo direito civil, que os autores claramente saibam, como alegado, quem está por trás das publicações que são objeto desta ação. A Meta alegou em seus resumos que "os autores sabiam, ou pelo menos tinham uma suspeita real, sobre a identidade das partes por trás dos vídeos" (parágrafo 18 dos resumos da Meta).
O problema é que suspeitas são separadas e conhecimento é separado. Não há suspeita, mesmo em um nível alto, semelhante ao conhecimento. O fato de uma pessoa suspeitar que outra pessoa cometeu um ato ilícito contra ela não justifica nem basta uma determinação normativa de que a vítima teria sido esperada para entrar com uma ação contra a outra. Tal determinação só é válida se for provado que a vítima possui provas suficientes para comprovar sua alegação, mesmo que a suspeita seja alta.
- No nosso caso, alegou-se que os autores sabiam que a pessoa que publicou as publicações era a organização Hidabrot, os rabinos Zamir Cohen e Yigal Cohen, e outra pessoa chamada Nissim Sabag, com quem os autores estão em conflito. Nas provas apresentadas ao tribunal, descobriu-se que os autores apresentaram uma queixa à polícia, que não levantou nenhuma informação, e até contrataram um investigador particular chamado Yoram Doctori (doravante: "Doutor"). No relatório do investigador, Doctori afirmou que:
"Foi realizada uma investigação abrangente, na qual usamos todas as ferramentas legais de investigação à nossa disposição no campo cibernético e em investigações de encobrimento. Como são impostores, a investigação terminou sem resultados. Em nossa avaliação profissional, os disseminadores de conteúdo de ódio só podem ser alcançados por meio das ferramentas de agências estatais como o Shin Bet e a Unidade Cibernética da Polícia de Israel."