Passeando por Tel Aviv, vi uma placa na calçada, em hebraico e inglês, indicando que uma motocicleta que usasse a faixa de pedestres estaria sujeita a uma multa de ₪ 250. A placa estava em hebraico e inglês. O hebraico usava o símbolo da moeda, mas no inglês, como a sigla é utilizada, por algum motivo, em vários lugares de Israel, a moeda estava escrita como: NIS. Então, quem determina o que constitui uma moeda legal e o que significa esse termo? E, embora a bandeira nicaraguense e a israelense tenham alguma semelhança, como a moeda nicaraguense "tomou conta" de Israel, apesar de não existir ali?
Nos últimos anos, presenciamos um fenômeno relativamente novo de criação de moedas virtuais. Naturalmente, essas moedas levantam questões jurídicas sobre sua validade, bem como questões tributárias. Em um caso debatido no Tribunal Distrital Central de Israel em maio de 2019, uma pessoa que comprou Bitcoin e o vendeu dois anos depois com um lucro de 8 milhões de ILS foi intimada pela Autoridade Tributária a pagar imposto sobre ganhos de capital. A pessoa argumentou que não estaria pagando imposto se tivesse havido uma mudança na taxa de câmbio Dólar-Shekel e uma quantia em USD mantida em sua conta passasse a valer mais em ILS. Para proferir a sentença, o Tribunal teve que resolver uma questão mais básica: o que é uma moeda?
Segundo o Tribunal, o Bitcoin, assim como outras criptomoedas, é uma unidade digital registrada e gerida por meio de uma tecnologia de registro distribuído (DLT). Ao contrário das moedas convencionais emitidas pelo Estado, trata-se de uma tecnologia de registro que não depende de um sistema central de controle, baseia-se na tecnologia blockchain e é protegida por criptografia. Embora muitos lugares aceitem Bitcoin ou outras moedas virtuais como meio de pagamento, isso não o torna a moeda oficial de nenhum país, e nenhum banco central intervém no comércio para evitar flutuações no valor da moeda. Consequentemente, como o Bitcoin não se enquadra na definição de "moeda estrangeira" da legislação israelense e, embora em algum momento o Bitcoin possa vir a se tornar uma "moeda", ele não é reconhecido em Israel como "moeda estrangeira" e será tributado como ativo quando vendido.
E quanto à moeda nicaraguense? Nicarágua e Israel compartilham uma bandeira ligeiramente semelhante, mas não um banco central nem uma moeda.
Em 1978, a Organização Internacional de Normalização (ISO) publicou pela primeira vez uma norma oficial sobre como as moedas são escritas em todo o mundo: a ISO 4217. A norma visa evitar mal-entendidos sobre a identidade da moeda em questão. Por isso, estabelece que uma moeda será identificada por três letras: as duas primeiras são o código internacional do país e a última é o código da moeda (daí que GBP seja apenas para a moeda britânica e não UKP, embora muitos prefiram o termo "Reino Unido" ao termo "Grã-Bretanha"). Até 1980, Israel usava a lira israelense (ou "libra") e sua sigla era ILP, mas em fevereiro de 1980 a lira foi substituída pelo shekel israelense (ILR). No início de 1986, o Shekel foi substituído pelo Novo Shekel e seu código passou a ser ILS. Então, por que não utilizar as letras NIS (para New Israeli Shekel)? Talvez porque as letras NI sejam o código do país nicaraguense e talvez simplesmente porque não há razão para criar confusão, especialmente nas transações internacionais, entre o shekel israelense (ILS) e o córdoba ouro nicaraguense (NIO)
