No entanto, mesmo essa alegação de álibi levanta dificuldades. Primeiro, os detalhes das ligações telefônicas rápidas no apartamento do réu indicam que uma ligação foi feita de seu apartamento para a casa de um amigo às 21h34. Se o réu tivesse saído da casa do campista entre 21h15 e 21h30, e de lá dirigido até a casa do dono da pensão para pagar o aluguel, ele não teria conseguido chegar até as 21h34. Além disso, pelos detalhes das ligações de celular que o réu alegou ter tido, parece que a conversa telefônica entre ele e o proprietário da pensão no dia do incidente, na qual ele ligou para saber se este estava em sua casa, ocorreu às 20h21, supostamente enquanto ele ainda estava na casa do campista. Além disso, no arquivo de provas no tribunal de primeira instância há uma confirmação bancária, segundo a qual, no dia relevante, às 20h34, foi feito um saque em dinheiro no caixa eletrônico da conta do pai do réu – um saque que o réu alegou ter feito. Diante do contexto acima, não é surpreendente que sua versão A Final A decisão do réu – conforme alegado no tribunal de primeira instância – foi que ele permaneceu na casa do campista até a data da conversa (aproximadamente), e em suas palavras em seu depoimento no tribunal de primeira instância "até aproximadamente 20h" (transcrição, p. 82), e só às 21h30. Nem é preciso dizer que essa versão é muito próxima do primeiro argumento de álibi levantado pelo réu, que ele também seguiu na resposta à acusação, segundo a qual ele ficou na casa do campista até as 19h30.
Em resumo, com o tempo, a alegação de álibi do réu passou por algumas reviravoltas. Inicialmente, ele afirmou que ficou na casa do campista até as 19h30, segundo um relatório que preencheu para Perach. Depois, foi lembrado que, ao contrário do que foi declarado no relatório, a reunião dupla que ocorreu na casa do campista foi entre 17h30 e 21h30, e que ao final ele foi até a casa do dono da pensão pagar o aluguel do pai. Como foi dito, sua versão final é que a reunião dupla na casa do campista terminou por volta das 20h, após o que ele ligou para o dono da pensão e dirigiu até ele para pagar o aluguel. De acordo com a versão mais recente, não só a reunião dupla na casa do campista não ocorreu durante as horas relatadas pelo respondente no relatório Perach, como também não durou nem quatro horas, mas apenas cerca de duas horas e meia. Afinal, a ligação para a casa do campista saiu do apartamento do respondente às 17h23, e pode-se presumir que, mesmo que o respondente tenha ido para a casa do campista imediatamente após a conversa, ele o alcançou cerca de 15 minutos depois, ou seja, por volta das 17h40.