Esta é a descrição factual do curso da investigação, conforme emerge do material. A questão diante de nós é se a apreensão prévia do diário, ou a divulgação antecipada das saídas e localização das chamadas, poderia ter encurtado a duração da detenção do réu. Agora vou passar a essa pergunta.
- Como foi dito, no arquivo da investigação, uma saída de chamada foi encontrada no telefone no apartamento do réu. O Tribunal Distrital decidiu que esse material já estava em posse da polícia por volta de 20 de julho de 1999. Ao mesmo tempo, o Tribunal Distrital evitou determinar se a polícia obteve a produção por meio de uma ordem judicial, ou se a produção foi entregue proativamente por familiares do réu. De qualquer forma, como explicado, o resultado mostrou que às 17h23, uma ligação foi enviada para a casa do campista. Essas informações estavam disponíveis para a polícia em tempo real e não são uma sabedoria retrospectiva. O policial Sweid, em seu depoimento no tribunal de primeira instância, alegou que a produção agiu de acordo com a obrigação do autor, pois apontou que o autor não estava na casa do campista durante as horas em que afirmou estar lá (como pode ser lembrado, o relatório de horas de Perach afirmou que o réu estava na casa do campista entre 15h30 e 19h30). Pelo contrário, porém, o resultado mostra que o réu aparentemente chegou à casa do campista no mínimo, por volta das 17h40 – mais tarde do que o horário habitual em que ele costumava chegar. Esse fato, junto com os detalhes fornecidos pela mãe do réu no dia anterior (que o réu geralmente se encontra com o campista por cerca de três horas), deveria ter levantado uma dúvida real sobre a possibilidade de que o réu tivesse chegado em sua casa já às 20h e ali tenha cometido o estupro.
Mais tarde, em setembro, mais duas evidências foram descobertas: a saída de chamadas de celular e a localização do dispositivo. As provas revelaram que, às 20h22, o réu ligou para o proprietário da pensão de seu celular, e que a ligação foi feita da área da casa do campista e não da área da casa do réu (onde, conforme declarado, o estupro ocorreu). Como resultado, a investigação tomou um rumo diferente, até ficar claro que o réu estava realmente em posse do álibi como exigido, e que no momento relevante ele não estava na área onde o estupro foi cometido. Como explicado acima, a saída celular que desencadeou essa direção de investigação não era exigida pela polícia, mas foi fornecida pelo advogado do réu. Somente como resultado disso foi emitida a ordem de localização para que fosse possível identificar os setores de onde a conversa foi feita.