Jurisprudência

Caso de Crimes Graves (Beer Sheva) 63357-03-18 Estado de Israel – F.M.D. V. Assaf Masoud Suissa - parte 110

15 de Fevereiro de 2021
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Além disso, como foi dito, no meio do primeiro interrogatório do Réu 1, que começou como depoimento público, o Investigador Asher Hasson entrou (após o Investigador Benita receber uma ligação, sair da sala e voltar com ele), informou ao Réu 1 que ele era suspeito do assassinato, informou seus direitos e renunciou à consulta com um advogado (P/1A, pp. 17, 19 a 18, 34).  Uma análise do material da investigação mostra, assim como explicou o Superintendente Michaeli, que neste estágio não havia evidências ligando o Réu 1 ao assassinato, exceto mentiras e contradições em seu interrogatório e a suspeita de que ele estava no posto de gasolina Paz, apesar de alegar que não saiu de casa.  Vale ressaltar que, naquele momento, os investigadores tinham apenas uma fotografia do telefone das câmeras de segurança da  loja "Amarela"  no posto de gasolina "Paz", que incluía uma pessoa que se parecia com o réu 1 (e, em retrospecto, era o réu 2) que entrou na loja de conveniência, e não havia menção a ninguém que tivesse comprado ou tentado comprar combustível; enquanto os vídeos do posto de gasolina "Tapuz" em que os réus foram vistos comprando gasolina foram baixados apenas no dia seguinte.  Após a reconstrução realizada com o réu 1 (ver P/69, P/63, P/56A, P/57A).  Esse caso, na verdade, testemunha a cautela excessiva do Investigador Hasson no interrogatório do Réu 1 e, de fato, refuta a alegação da defesa de que um exercício planejado de interrogatório foi realizado para apresentar aos réus uma falsa declaração de que se tratava apenas de um caso relacionado a drogas.  Também deve ser notado que, a partir deste interrogatório, o Réu 1 foi interrogado em todos os seus interrogatórios sob suspeita de assassinato, incluindo o terceiro interrogatório (P/3), no qual o interrogador focou com ele apenas no propósito de trazer drogas, segundo ele, em uma espécie de exercício de interrogatório.

O exame do material investigativo em posse da Unidade de Investigação também apoia os depoimentos dos investigadores, segundo os quais, quando o Réu 2 foi convocado para interrogatório, ele foi inicialmente convocado apenas como testemunha, depois que o Réu 1 mencionou seu nome no primeiro interrogatório como testemunha de álibi de suas ações próximas ao momento do assassinato (o interrogatório ocorreu entre 12h48 e 14h41); Somente em seu segundo interrogatório (que começou às 16h03) o Réu 1 ligou o Réu 2 a crimes relacionados a drogas, o que explica o fato de que, quando o interrogatório do Réu 2 começou (às 18h42), ele foi interrogado sob suspeita de crimes relacionados a drogas.  O fato de o Superintendente Michaeli ter permitido que os pais do Réu 2 o levassem para interrogatório também é consistente com o fato de que, naquela época, ele foi convocado apenas como testemunha, pois, se ele tivesse sido suspeito do assassinato, como alegou a defesa, seria inconcebível que ele tivesse ido à polícia de forma independente, e presume-se que os policiais teriam imediatamente ido prendê-lo em seu local de trabalho.

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