Além disso, o réu 2 afirmou em seu depoimento que somente depois que o comandante da unidade entrou na sala, os interrogadores começaram a dizer que seu parceiro havia "se aberto com ele", que ele diria que o réu 1 fez tudo, o ameaçou, e que não teve escolha a não ser ser arrastado atrás dele, e prometeu que, se fizesse isso, seria liberado para casa. Esse argumento contradiz completamente os depoimentos dos policiais que, como foi dito, me causaram uma impressão crível, e até contradiz a documentação registrada do interrogatório pelo comandante da Unidade Central de Inteligência. Imediatamente no início da gravação, ouve-se o Investigador Malichi se aproximando do Réu 2, apresentando-o ao Comandante da Unidade de Inteligência e pedindo que ele conte o que havia lhe dito anteriormente quando ele pediu para dizer a verdade, e o Réu 2 perguntou ao Comandante da Unidade de Inteligência se ele protegeria sua vida e sua família (P/11, p. 1, 14-20). Fica claro pelo exposto acima que, como Malichi, comandante da Unidade Central de Inteligência, e as outras testemunhas testemunharam, Malichi ligou para o comandante da Unidade de Inteligência, e assim que entraram na sala, a gravação foi reproduzida; e que não houve conversa prévia entre o comandante da Unidade Central de Inteligência e o Réu 2 antes da gravação.
Além disso, em resposta às perguntas do tribunal e do promotor, o réu 2 teve dificuldade em explicar em seu depoimento quais detalhes incorretos deu em suas declarações sob influência dos interrogadores naquele "interrogatório desaparecido"; isso se soma às declarações gerais de que lhe disseram para desistir do réu 1 e dizer que o réu 1 o ameaçou. De fato, considerando tudo o que o réu 2 disse em suas declarações e que agora afirma não serem verdadeiras, ele respondeu em seu depoimento que os interrogadores não lhe disseram para dizer, mas que ele mesmo as inventou para dar credibilidade à sua história. Esse é o caso em relação à sua declaração de que o réu 1 planejou tudo e detalhou o plano para ele (pp. 477-479); sobre sua declaração de que chutou o falecido (p. 472); e sobre o uso de uma meia para espancar o falecido (p. 478). Também deve ser notado, nesse contexto, que no momento anterior ao interrogatório do Réu 2 pelo Comandante da Unidade de Inteligência (que começou às 20h40), o Réu 1 ainda não havia confessado o assassinato e não se havia ligado ao incidente, apenas concordou em conduzir os investigadores até as drogas; Assim, os investigadores não tinham informações sobre como o assassinato foi cometido e, mesmo que quisessem, não poderiam dizer ao réu 2 o que dizer para "despejar" o assassinato no réu 1.