A impressão do depoimento do Réu 2
O depoimento do réu 2 também deixou uma impressão claramente pouco confiável, e a principal impressão que emergiu de seu depoimento foi a de uma pessoa manipuladora, que não foge das mentiras e é muito focada em si mesma, na forma como intensifica as "injustiças" que acredita terem sido cometidas contra ele pela equipe de investigação e, por outro lado, reduz e acha difícil compreender a gravidade de suas ações e sua responsabilidade, mesmo segundo sua nova versão, por causar a morte de uma pessoa de forma trivial. A impressão de que o Réu 2 é egocêntrico, manipulador e acostumado a receber o que deseja também surgiu ao assistir e ouvir a documentação de seus interrogatórios com a polícia, conforme descrito acima, assim como de sua conduta na audiência realizada em 16 de julho de 2019, na qual seu depoimento deveria ser ouvido. Na audiência mencionada, o réu 2 pediu para adiar seu depoimento devido a um incidente que sofreu na prisão e, apesar de várias decisões em que seu pedido foi rejeitado, depois que ficamos com a impressão de que ele era capaz de testemunhar e depois de instruímos que ele ao menos começasse seu depoimento, o réu 2 persistiu em sua recusa, tentou argumentar e negociar longamente com o tribunal, e depois que seu pedido não foi respondido e a importância de se abster de testemunhar foi até explicada a ele, ele renunciou ao direito de testemunhar sob protesto (pp. 425-444). O problema é que, na audiência subsequente, o réu 2 pediu permissão para testemunhar, e no final seu pedido foi atendido, de modo que, na prática, ele ditou a rejeição de seu depoimento, como havia decidido fazer desde o início (veja decisão de 28 de outubro de 2019).
Ao longo de seu depoimento, ficou evidente que, embora o Réu 2 tenha dado uma versão semelhante à versão suprimida do Réu 1, ele teve grande dificuldade em contar sua participação no incidente e assumir a responsabilidade por suas ações (mesmo segundo a nova versão), e atribuiu a maior parte da história e detalhes do incidente ao Réu 1, como se ele próprio não tivesse nada a ver com o incidente ou fosse uma espécie de "estatístico" que foi arrastado atrás do Réu 1 sem outra escolha; e já em uma fase inicial do depoimento comentamos a ele que ele também deveria se relacionar com suas ações e pensamentos, e não apenas com as ações do Réu 1 (p. 458-459). Nesse contexto, deve-se notar que, ao descrever sua nova versão do ataque ao falecido, o Réu 2 lembrou-se bem de descrever a parte do Réu 1 que "tirou algumas kappahs para ele", mas sobre si mesmo disse que não se lembrava se o tocou (p. 457, parágrafos 4-5); Mais tarde, à pergunta do tribunal sobre como ele se lembra de tudo o que o Réu 1 fez, mas não lembra o que fez, Ele respondeu que não ao assunto e insistiu que não se lembrava (p. 469, parágrafos 10-20).