Sobre a situação nos Estados Unidos, pode-se acrescentar que, há cerca de um mês, o Escritório de Patentes dos EUA (USPTO) publicou um documento de política atualizado sobre invenções que utilizam inteligência artificial como parte do procedimento de invenção (Revised Inventorship Guidance for AI-Assisted Inventions).[10] De acordo com este documento, que também se refere aos procedimentos do Dr. Thaler no caso DABUS, apenas uma "pessoa física" pode ser inventor. A inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, não é considerada uma inventora. É tratada, como um modelo de computador, software, etc., como uma ferramenta que pode auxiliar o inventor no processo de invenção.
- Inglaterra - Autoridade de Propriedade Intelectual (UKIPO) decidiu que uma máquina não poderia ser inventora segundo a lei e não podia transferir direitos e que o Dr. Thaler não poderia ter direito a direitos em virtude de sua posse da máquina. Um recurso ao tribunal foi rejeitado, assim como um recurso ao Tribunal de Apelações (opinião majoritária). Os principais pontos da decisão do Tribunal de Apelações foram apresentados na decisão do Secretário.
Em 20 de dezembro de 2023, a Suprema Corte do Reino Unido confirmou as decisões anteriores.[11] Foi decidido que um inventor, segundo a Lei de Patentes, deve ser uma "pessoa física"; DABUS não atende a essa condição e não é inventor. O Dr. Thaler não pode ser considerado detentor de direitos apenas por sua posse da máquina e a Doutrina do Acesso não se aplica nas circunstâncias. O ponto de partida da lei é uma invenção cujo inventor é um ser humano.
Para completar o quadro, deve-se notar que um pedido de patente foi posteriormente rejeitado na Inglaterra, no qual o Dr. Thaler se listou como inventor, à luz de outras declarações de que a invenção foi realizada de forma autônoma pelo DABUS e que ele não teve contribuição que pudesse defini-lo como inventor segundo critérios tradicionais. Um recurso contra a decisão do UKIPO foi rejeitado em 1º de setembro de 2025[12].
- Escritório Europeu de Patentes - O־Conselho de Apelação rejeitou o recurso do Dr. Thaler contra a recusa do Escritório Europeu de Patentes (EPO) receber pedidos de patente nos quais DABUS como inventor e determinou que o termo inventa de acordo com o Convenção Europeia de Patentes(EPC) refere-se a um ser humano com competência jurídica[13].
Em 25 de novembro de 2024, o Conselho Jurídico de Apelação da EPO rejeitou um recurso contra a rejeição de um pedido de registro alterado apresentado pelo Dr. Thaler, no qual ele se identificava como "inventor" em virtude de sua posse da máquina DABUS que criou a invenção "de forma autônoma". A decisão estipulava que qualquer pedido de patente deveria declarar explicitamente a identidade do inventor, que deveria ser uma "pessoa física".[14]