Veja o depoimento assinalado como Tel/1 (7):
"Quando cheguei à esquadra... E entrei no interrogatório, não sabia o que era... Quando o interrogador me mostrou, os meus olhos escureceram e entrei em choque... Não sabia e não conseguia identificar-me. Fiquei chocado e ansioso... E pensar que algo vendeu as minhas fotografias. Como é que se chega a um ponto tão baixo que eu tenho de contar ao meu noivo, o que acontece é que alguém não distribuiu uma venda por dinheiro, fotos minhas de lingerie e fato de banho... Por causa de pessoas como ele, raparigas cujas vidas foram cortadas, é apenas um homem vergonhoso que procura ganhar dinheiro fácil para raparigas, como se fosse um chulo que tira fotos nossas do Instagram e tira fotos íntimas de raparigas inocentes e vende-as! Espero que atrás das grades ele faça uma reflexão consigo próprio e perceba que há uma forma de ganhar dinheiro... Deixa-o pensar bem antes porque a mão é leve atrás do teclado, mas o toque da prisão é mais doloroso."
Veja a declaração assinalada como Tel/1 (8):
"Já passaram mais de oito anos desde o dia em que as minhas fotos foram distribuídas. Fotografias tiradas quando eu era menor de idade. Hoje tenho 25 anos, sou profissional... E até hoje, esta história acompanha-me e recebo mensagens de poucos em poucos meses de pessoas que não conheço que estão a circular fotos íntimas minhas no Telegram... Posso dizer que isso mudou realmente a minha personalidade como rapariga numa idade em que a minha personagem ainda está a tomar forma e cresci para ser uma mulher ansiosa que não confia e tem sobretudo medo dos homens..."
Veja a declaração assinalada como Tel/1 (9):
"... Tenho vergonha de andar na rua com medo de ser identificada, tenho vergonha do meu corpo e sinto-me desconfortável comigo mesma..."
Veja a declaração marcada como Tel/1 (10):
"... Sentes que não tens controlo sobre o teu corpo, e que muitos homens, sabes e não sabes, estão sempre a aproveitar-se de ti sem o teu consentimento, para necessidades sexuais doentias. É difícil confiar em alguém numa situação destas, não sabes quem é membro do grupo, quem viu as tuas fotos e porque é que os homens começam contigo. Por exemplo, descobri que um soldado da base que começou comigo viu as fotos primeiro e mentiu-me sobre isso. É só um exemplo de que não há para onde fugir e que está por todo o lado..."