| Tribunal de Magistrados de Tel Aviv-Jaffa
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| Processo Civil 49593-12-22 Steinhardt v. Eshed
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| Perante o Honorável Juiz Ronen Ilan
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| Oautor: | Amit Steinhart
Por advogado Roy Tibi |
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Contra
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| Oréu: | Eliyahu Eshed
Por Adv. Matityahu Baruchim
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| Julgamento
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É possível identificar o personagem de um vilão literário como um homem de carne e osso?
O réu escreveu e publicou vários capítulos sob o título de "A Fraude Búlgara", que definiu antecipadamente como uma obra de ficção. No mesmo livro, o réu apresenta um complexo plano de crime, espionagem e fraude que ocorre por toda a Europa e foca na Bulgária. Uma trama em que personagens criados pelo réu são "estrelados" e, ao lado deles, são mencionadas figuras reais como o presidente russo. E entre os personagens que estrelam o livro, há também o personagem de um vilão literário. Uma pessoa que recebe um apelido depreciativo que se refere às dimensões do corpo e é descrita de forma negativa de várias formas.
Segundo o autor, a descrição desse vilão mostra que ele não é um personagem fictício, mas sim seu próprio personagem. Porque quem lê os capítulos do livro facilmente o reconhece como o personagem daquele vilão. Ao fazer isso, o réu cometeu contra si o delito civil de difamação e grave violação da privacidade, sob o pretexto de uma criação fictícia. E não foi por acaso que o réu agiu, pois, segundo a versão do autor, o réu tentou assediá-lo e prejudicá-lo após uma disputa anterior entre eles.
O réu, o autor, nega essas alegações categoricamente. A história é uma criação completamente fictícia, afirma o réu. O autor, segundo sua versão, o serviu como inspiração legítima no máximo, assim como outros eventos constituíram tal inspiração, mas não há base para tentar identificar o autor com qualquer personagem do livro, e em qualquer caso não há base para tentar atribuir a ele a comissão de um ato ilícito contra o autor.
No centro das disputas que surgiram entre as partes está, portanto, a questão de saber se o personagem criado pelo réu no livro que publicou pode ser identificado com a figura do autor. Na medida em que se constate que é realmente possível identificar o personagem dessa forma, será examinada a questão da tensão entre o direito do autor ao seu bom nome e privacidade e o direito do réu de buscar a expressão e a obra. Também será necessário examinar o remédio apropriado nas circunstâncias do caso e na medida em que se constate que uma injustiça foi cometida contra o autor, e, nesse contexto, a questão de saber se estamos lidando com muitas publicações ou talvez com um único conjunto de publicações e se foi comprovada a intenção de prejudicar o autor.