"Ao exercer sua discricionariedade, o autor deve agir com igualdade e sem discriminação... O bom funcionamento do processo criminal baseia-se na confiança do público nas autoridades de acusação e na crença de que elas tomam suas decisões com igualdade. Apresentar acusações de forma discriminatória mina a confiança do público nas autoridades promotoras. Isso é um golpe sério para o regime democrático. Essa dificuldade é tripla: primeiro, o uso discriminatório do poder de acusação mina as suposições subjacentes à concessão de discricionariedade ao autor; Segundo, a discriminação na apresentação de denúncias prejudica a confiança do público nas autoridades de acusação em particular e nas autoridades governamentais em geral, e assim corroi os laços que unem os membros da sociedade; Terceiro, o exercício desigual do poder de acusação prejudica o poder dissuasor do direito penal."
Pela primeira vez, o tribunal discutiu extensivamente esse argumento e seus componentes, em 1999, no caso do Tribunal Superior de Justiça 6396/96 Zakin v. Mayor of Be'er Sheva, IsrSC 35 (3) 289 (1999, doravante: o caso Zakin). Embora o argumento já tenha sido levantado e discutido em geral mesmo antes disso (veja, por exemplo, as palavras do Honorável Vice-Presidente, Juiz M. Cheshin, emCriminal Appeal 3520/91 Turgeman v. MI, IsrSC 47 (1) 441 (1993). No caso Zakin, foi discutida a acusação dos regulamentos relativos à sinalização, quando se alegou que apenas aqueles que escreviam críticas e protestos contra o prefeito eram processados. O Honorável Justice Y. Zamir destacou a essência da aplicação seletiva (ibid., p. 305): "Aplicação que viola a igualdade no sentido de que distingue para fins de aplicação entre pessoas ou situações semelhantes a fim de alcançar um objetivo impróprio, ou com base em consideração extranea ou mera arbitrarieda."
O Honorável Justice Y. Zamir discutiu ainda a base conceitual desse argumento, que é a violação da igualdade (caso Zakin, p. 308, parágrafo 18 de sua decisão):