Se o réu 3 tivesse agido de boa-fé, ele não teria motivo para se envolver em uma variedade de versões contraditórias, e suas mentiras constituem evidência circunstancial que sustenta a conclusão de que ele sabia do propósito criminal de transferir os cartões de identidade para o réu 1. Segue-se que o réu 3 "deveria ter sabido, ou fechado os olhos para ver, que uma empresa seria criada sem o consentimento de Ben Shimon e, ao falsificar sua assinatura, essa é a razão de suas mentiras ou comportamento incriminador."
Portanto, o réu 3 deve ser condenado pelos crimes atribuídos a ele na 18ª acusação.
Quanto ao réu 1, a promotoria afirma que foi ele quem entregou a Yehoshua Shlosh os detalhes de Meir Ben Shimon e Lucien Sadeh, com a intenção de que fossem usados para registrar as empresas fictícias de ambos.
Essa conclusão é necessária porque os detalhes foram transferidos de Frizi para Rash, e de Shlosh para o Rabino Harpaz, e a partir disso podemos concluir que os detalhes foram transferidos, de fato, de Uri Resh para Yehoshua Shlosh. Outra evidência circunstancial é a presença do nome e endereço de Meir Ben Shimon no diário do Réu 1, apesar de em seu depoimento principal Rash negar não só conhecer Ben Shimon, mas mesmo ter ouvido seu nome. A acusação observa que, em seu contra-interrogatório, o réu 1 alegou que alguém havia ditado os dados de Ben Shimon para ele, mas não sabia como explicar o propósito para que isso foi feito.
A acusação ainda argumenta que o elemento mental desse crime é comprovado por inúmeras evidências, principalmente pelo fato de que o réu 1 apoiou as empresas mencionadas e as utilizou desde o dia em que foram fundadas.
Segundo Yehoshua Shlosh, em seu depoimento no julgamento principal, foi o CPA Harpaz quem iniciou a criação das duas empresas, JCC e ICT, e que o Réu 1 não estava envolvido nisso. Essa versão é inconsistente com as palavras da CPA Harpaz e também é ilógica, já que qual o interesse da CPA tem na criação dessas empresas?
Na conversa gravada entre Yehoshua Chelouche e Araldo Frizzi, Chelouche mencionou o encontro com a Sra. Ella Fishman, que deveria administrar as duas empresas, e dessa conversa se descobre que o Réu 1 é a pessoa decisiva em relação a essas empresas. A acusação argumenta que "as palavras dos três mencionados provam que Uri Resch foi o tomador de decisão sobre essas empresas desde o início, já que as empresas foram registradas em 22 de agosto de 1999 e a decisão do conselho de administração nomeando Fishman (P/237) foi datada de 14 de setembro de 1999, apenas três semanas depois. Portanto, ele também é responsável por registrar fraudulentamente as empresas, e não apenas por usá-las."