Em nossa opinião, na medida em que a testemunha perito discorda (e discorda enfaticamente) dessa conclusão do examinador Partush, ele deveria ter exigido as fotografias das manchas de sangue e fundamentado sua alegação de que todas são produto do corpo ter sido levado pelo voo e não se mover. Isso também é reforçado pelo fato de que, como se vê da opinião, a testemunha passou por dois treinamentos específicos para analisar e identificar manchas de sangue (ambas na Holanda), de modo que, prima facie, poderia facilmente ter negado a posição do examinador Partush.
Quanto à própria disputa sobre o significado das manchas de sangue, ao observar as fotografias das manchas de sangue, de fato se mostra que elas estão distribuídas de forma desigual em diferentes configurações e quantidades. A isso, acrescentamos que não há disputa de que o falecido, que estava vivo pouco depois do açoure, sangrou do rosto e de outras partes, então há a possibilidade de que algumas das manchas de sangue na estrada tenham sido criadas enquanto ele era levantado e carregado em direção ao veículo de Adam Abu al-Qiyan.
Da mesma forma, o perito da defesa não pediu nem baseou sua opinião nas imagens da câmera de segurança (P/9) que documentam (mesmo que à distância), a condução do réu no carro Dodge pouco antes de virar à direita na Altakoa Street, e logo após o embatimento quando o veículo Dodge deixou o bairro. Esses vídeos, que são evidências objetivas, podem mostrar, entre outras coisas, e como detalhado acima, a capacidade do veículo de frear, a forma de sua trajetória e sua posição em relação às faixas de circulação. O uso desses vídeos é consistente com a abordagem declarada pela testemunha, segundo a qual ele se baseia exclusivamente em descobertas forenses (e essa também foi a resposta da testemunha sempre que foi acusado de que as determinações e conclusões em sua opinião contradiziam os depoimentos, incluindo a versão do réu).
Mesmo no que diz respeito ao método de trabalho do perito de defesa, em nível de princípio, a preferência por descobertas forenses em vez de testemunhos oculares é lógica e aceitável, quando não há necessidade de elaborar por que isso deveria ser feito. Mesmo assim, no caso em questão, o perito da defesa não preferiu as descobertas forenses aos depoimentos (ou uma combinação dos dois), mas optou por não ler os depoimentos de forma alguma.