Está claro que não deve ser depositada confiança nas versões suprimidas do réu e de Emil Rafalov, que foram dadas vários anos após o dia do incidente, sem qualquer explicação para sua supressão. Deve-se lembrar que, no momento da entrega da versão do álibi em que será discutida (em setembro de 2021), esperava-se, é claro, que o réu também apresentasse sua versão em relação a Emil Rafalov e permanecesse em sua empresa, para que pudesse ser verificada ou refutada, mas após apresentar a versão do álibi que atribuía a transferência do carro Chevrolet a Aviel Dadon, o réu optou por permanecer em silêncio novamente, como havia feito em interrogatórios anteriores à apresentação da acusação. Assim, o réu teve a oportunidade, que durou muitos meses, de elaborar a versão sobre sua estadia com Emil Rafalov, e de "recrutar" Emil Rafalov para se juntar à sua versão e apoiá-la, e isso ainda por cerca de meio ano, entre a primeira etapa do depoimento de Emil Rafalov e a segunda fase desse depoimento.
A conclusão óbvia da atividade do réu é que seu pedido era manter uma boa distância do veículo Chevrolet usado para cometer o assassinato e do arquivo que aparentemente continha objetos incriminadores.
Não é impossível que o réu não tenha intenção de comprar o carro Chevrolet de forma alguma [já que o veículo havia passado no teste de licenciamento em 16 de março de 2021 e foi considerado em boas condições (conforme declarado). Sigal Avioz, mãe de Ariel, com quem era obrigada a compartilhar o Toyota da família todos os dias, nem sequer sabia da compra do carro Chevrolet para seu filho Ariel (15 de setembro de 2024, p. 4364), e Emil Rafalov, que supostamente recebeu o réu nos dias em que o carro estava em sua posse, também não soube da existência.
00A conclusão lógica que decorre do conjunto de provas apresentadas a nós é que o uso do veículo Chevrolet foi feito unicamente para cometer o assassinato, como um "veículo operacional" cujo único e único propósito é. Portanto, era de grande importância livrar-se dele após cumprir seu propósito, sem que fosse possível localizá-lo e atribuí-lo ao réu. O réu não gostou do que queria, considerando a existência de um sistema Itran no carro Chevrolet e devido às várias câmeras de segurança que documentavam a rota do veículo, bem como a detecção do perfil genético dele e do falecido em objetos removidos do veículo. Também vale notar que, na fase da prisão, após ser retirado do Chevrolet e informado de que foi "preso por assassinato", o réu não respondeu de forma alguma, "apenas assentiu com a cabeça." Ao mesmo tempo, o réu se deu ao trabalho de dizer "porque não é seu carro, mas um carro que ele recebeu de seu amigo Eliran, e além disso, ele não pretende dizer nada" (ver: P/10). Em outras palavras, já nessa fase, o réu Jr. entendeu muito bem que precisava se distanciar do carro, pois sabia que policiais, um dia antes de sua prisão, haviam assistido às imagens das câmeras de segurança no complexo comercial de Rafi Abdeyev.