2.2 Os argumentos do acusador
2.2.a. Argumentos da acusadora sobre imunidade contra processos judiciais
O acusador argumenta que a base conceitual para a doutrina dos órgãos no direito penal é permitir que as corporações sejam processadas criminalmente, já que não há novidade em processar os autores do crime em carne e osso. Segundo o acusador, a teoria dos órgãos deve ser usada para atribuir responsabilidade criminal à corporação no momento da prática do crime. Em outras palavras, os atos e pensamentos criminosos do órgão no momento da prática do crime devem ser atribuídos à corporação, mas depois disso os modos da corporação e do órgão são separados. Segundo ela, quando as testemunhas, que eram gerentes seniores da Siemens Israel, escolheram se tornar testemunhas de Estado e receberam imunidade, agiram como indivíduos privados que cometeram crimes e buscaram comprar imunidade. Essa ação não foi tomada em sua função de órgãos da Siemens Israel, especialmente porque, na época em que firmaram os acordos (ou, no caso de Weiss – aceitaram a imunidade), não havia mais gestores na Siemens Israel.
Segundo o acusador, a seção 23, que trata da responsabilidade criminal de uma corporação em virtude da doutrina dos órgãos, trata da fase da comissão ou cristalização do crime. Segundo o acusador, existem proteções que serão concedidas à corporação em virtude da doutrina dos órgãos, mas essas são proteções relacionadas à prática do crime e negam à conduta sua natureza criminosa. Assim, segundo ela, se a organização tiver uma defesa de necessidade ou de dependência de uma situação legal, no momento da prática do crime, essa proteção também estará disponível para a corporação. Segundo ela, isso não é verdade na fase de investigação, quando uma pessoa testemunha o que sabe e não o faz no exercício de seu papel como organista.
O acusador argumenta ainda que a identidade entre o dirigente – o órgão – e a corporação serve apenas para atribuir a infração que cometeu à corporação, e não para fins de identificação absoluta entre os dois a partir daquele momento. Segundo ela, a responsabilidade criminal da corporação se cristaliza quando o crime é cometido por seu órgão. Não há base legal para a alegação de que a responsabilidade criminal da corporação, desde o momento em que foi formulada como resultado dos atos do órgão, dependa de qualquer forma dos atos do órgão após a prática do crime.