Também rejeito o argumento de Shlosh, segundo o qual o réu 1 não tinha ligação com a criação das empresas, e que elas não estavam sob seu controle. Nesse contexto, a promotoria apresentou as palavras claras de Yehoshua Shlosh em sua conversa gravada com o réu 3. Nessa conversa, Yehoshua Shlosh mencionou a nomeação de um gerente para as duas empresas, referindo-se à Sra. Ella Fishman, ao mesmo tempo em que ligou a ré 1 a este caso:
"A mesma história foi com Natan Harpaz, que Natan trouxe uma mulher russa, ele disse que ela queria trabalhar como contadora e só, eu disse para ele, fala com a Uri, ele me contou algo, fala com você, olha, ele tinha um relacionamento com a Uri, mas ele queria eu, então disse algo com eles, vamos levá-la para ser a gerente dessa empresa.
Araldo: Que tipo de empresa você está falando?
Três: ICCCT, eu sei, nem sei os nomes das empresas, eu a levei, marquei uma consulta com ela em Tel Aviv, vi uma mulher legal... E eu a mandei ao Banco Postal abrir uma conta, ela abriu duas contas bancárias, eu disse para ela trazer os cheques para mim.
Araldo: E os cadernos que ela encomendeu?
Três: Sim, e ela assinou todos os cadernos para mim. Eu disse para ela me esperar em casa agora, e Ori teria que dar um emprego para ela. Uri não deixou."
Em seu depoimento no tribunal, Natan Harpaz se referiu à Sra. Ella Fishman, dizendo: "Esta é uma cliente minha da empresa que estava procurando emprego na época, ela estava procurando emprego há alguns meses e o Sr. Chelouche então pediu alguém para cuidar dos assuntos dessas empresas, e eu sugeri que ela se encontrasse com Chelouche e aceitasse o emprego, ele estava procurando alguém que cuidasse de toda a administração e operasse essas empresas." (p. 1704 da transcrição, parágrafos 6-9).
Natan Harpaz confirmou que pediu para abrir uma conta bancária em nome das duas empresas, observando que a gerente comercial delas era a Sra. Fishman.
Pela combinação do que Yehoshua Shlosh deu ao réu 3 na conversa gravada, com o depoimento de Natan Harpaz sobre a Sra. Fishman, é possível saber sobre o envolvimento do réu 1 na gestão e operação das empresas JCC e ICT. Nesse sentido, a acusação apontou o fato de que as empresas JCC e ICT foram registradas em 22 de agosto de 1999, enquanto a decisão do conselho de administração de nomear a Sra. Fishman como gerente da empresa foi datada de 14 de setembro de 1999, ou seja, três semanas depois, e isso mostra que o réu 1 era: "também responsável pelo registro fraudulento das empresas e não apenas pelo seu uso".