A alegação da promotoria de que as contas de vendas foram impressas no mesmo formato, e que isso constitui prova de que são falsificadas, está incorreta, pois mesmo que haja algumas semelhanças entre os vários documentos, isso não permite concluir que esses documentos foram impressos no mesmo local e nas mãos da mesma parte.
No que diz respeito a todos os tipos de cartas de crédito, após tal carta ser aberta, o iniciador da carta não tem possibilidade de retratar a transação de crédito, e isso é uma transação irrevogável.
A única opção para alterar uma carta de crédito é quando o beneficiário do crédito – o fornecedor – deseja fazer alterações, já que houve uma mudança em sua própria situação, como não ter a quantidade de mercadorias encomendadas, ou não conseguir cumprir os prazos acordados, etc. Nesses casos, o financiador pode concordar ou discordar das emendas, e o banco inaugural também deve aprovar as emendas solicitadas. Para que a transação seja executada, o financiador deve obter o consentimento do cliente, caso contrário ele pode ficar "preso" com mercadorias "nas quais não tem nada a fazer." Mesmo após a alteração, é a mesma carta de crédito e não uma nova carta, mesmo que certas condições tenham mudado em relação à versão anterior.
A defesa está ciente de que o modus operandi nas transações em que o réu esteve envolvido é bastante semelhante, e até levanta questões e muitas vezes. O principal argumento nesse contexto é que o Réu 1 foi "explorado e enganado por diferentes clientes de maneira bastante semelhante". A defesa concorda que isso não é uma coincidência aleatória, e parte da explicação está nos métodos de trabalho do réu 1, que têm um aspecto profissional legítimo e não são contaminados por fraude. Também foi alegado que a conduta descrita nas várias acusações era "resultado do trabalho de uma gangue criminosa bastante sofisticada. Essa gangue criminosa operava em modos semelhantes dentro do âmbito do mundo do comércio internacional." Essa gangue criminosa inclui Haim Buchris, Kobi Zoaretz, Avi Ben Nissan e Avi Kalamaro. Em um círculo mais distante, Shimon Berger, Natan Harpaz, Shlomo Metuk e Araldo Frizzi também podem ser adicionados a esses personagens, que é o Réu 3.