Após analisar as provas, e com base na minha impressão direta do depoimento do réu 1, determino que este é um réu manifestamente pouco confiável, que fez maravilhas ao relatar versões falsas o melhor que imagina, e não considero adequado dar crédito às suas palavras, desde que não sejam sustentadas por evidências objetivas, o que é indiscutível.
O réu tentou se apresentar como uma pessoa inocente que caiu vítima das conspirações conspiradas contra ele por outros, enquanto minha impressão inequívoca é que ele foi quem esteve no centro dos atos descritos na acusação e foi quem usou vários meios, numa tentativa flagrante de evitar sua exposição e a divulgação de suas ações pelas autoridades policiais. Como será detalhado abaixo, o réu 1 utilizou métodos sofisticados: falsificação de documentos, apresentação sob identidade falsa e uso de selos falsificados e dispositivos telefônicos e de fax de terceiros, enquanto realizava a maioria das atividades por meio das chamadas "empresas de palha". De fato, algumas das provas apresentadas pela acusação são provas circunstanciais, mas em um número significativo de casos são provas diretas que atestan o envolvimento pessoal desse réu.
Rejeito categoricamente os argumentos dos advogados do réu 1, que fizeram tudo o que puderam para apresentar sua versão, de que o papel desse réu se limitou a fornecer serviços de financiamento não bancário na área de comércio internacional, intermediação financeira em transações comerciais e encaminhamento de clientes para diversas entidades no campo do comércio internacional. Além disso, não acredito que o réu 1 seja obrigado, como ele alega, a encontrar soluções criativas para situações empresariais e comerciais complexas e únicas, como a defesa alega. Minha impressão clara é que o réu 1 não se dedicou a fornecer soluções comerciais legítimas, mas sim se dedicou a encontrar oportunidades para obter lucros financeiros substanciais, e não hesitou em se envolver em condutas ilegais enquanto cometia crimes graves.