À medida que uma pessoa avança na jornada da vida (e não necessariamente ao chegar à "terceira idade"), surge o desejo de proteger seus bens e garantir o futuro de seus familiares, junto com o medo de quem cuidará dela se perder sua capacidade. A resposta para isso está em dois documentos complementares: um testamento, que define como o patrimônio será distribuído após a morte; e uma Procuração Duradoura, que permite determinar antecipadamente quem tomará as decisões patrimoniais e médicas de uma pessoa durante sua vida, caso ela não possa fazer isso por si mesma. Diferente de outras ferramentas legais, a Procuração Duradoura permite garantir a realização exata da vontade de uma pessoa por meio de um documento de "instruções preliminares".
Por esse motivo, é importante que a Procuração Duradoura não seja preparada por um advogado que tenha recebido apenas treinamento básico e não possua um seguro profissional em valor adequado, mas por um advogado experiente de um escritório renomado, que possa ajudar a redigir com precisão as instruções preliminares, garantir que a vontade da pessoa seja preservada, ajudar a estabelecer mecanismos de ativação adequados para a procuração e prevenir disputas familiares desnecessárias. Abaixo estão detalhados alguns dos principais tópicos a serem considerados nas instruções preliminares:
Assuntos médicos e de saúde - Esta é uma das áreas mais sensíveis, e é importante que seja redigida com precisão. Entre outras coisas, vale a pena considerar: Tratamentos médicos e exames: quais tipos de tratamentos são aprovados ou descartados antecipadamente (por exemplo: certas cirurgias, transplantes, participação em ensaios clínicos); Cuidados em fim de vida: instruções sobre o prolongamento artificial da vida, conexão a máquinas, reanimação ou, alternativamente, um pedido para focar apenas em cuidados paliativos (prevenção de dor e sofrimento); Identidade de cuidadores e instituições: existe alguma preferência ou objeção a certos médicos ou a uma instituição médica específica?; Segunda opinião: é necessária uma segunda opinião médica antes de tomar decisões cruciais?
Assuntos pessoais e estilo de vida (bem-estar e vida diária) - Esta parte refere-se à qualidade de vida, ambiente de moradia e rotina diária. Entre outras coisas, vale a pena considerar: Local de residência: a aspiração é permanecer em casa com um cuidador em tempo integral o máximo possível? Sob quais condições você deseja se mudar para uma casa de repouso ou moradia assistida e existe uma instituição preferida?; Estilo de vida e religião: manter um estilo de vida específico (por exemplo: manter o kosher, observar o Shabat ou alternativamente um estilo de vida completamente secular); Lazer e cultura: instruções sobre a continuação das atividades que você aprecia (música, viagens, leitura de livros, encontros sociais); Cuidados pessoais: instruções sobre roupas, cortes de cabelo e higiene (para manter a dignidade pessoal conforme percebida pela própria pessoa).
Assuntos patrimoniais e financeiros - Aqui pode-se determinar como fundos, ativos e passivos serão gerenciados. Entre outras coisas, vale a pena considerar: Gestão contínua de contas: instruções sobre o pagamento de contas, gestão de carteiras de investimento (sólida/de risco) e encerramento/abertura de planos de poupança; Gestão de corporações e negócios: como gerenciar o negócio de acordo com a vontade da pessoa e evitar danos ao negócio; Gestão de ativos imobiliários: é permitido vender (mesmo que seja necessária aprovação judicial) ou alugar a casa para financiar os cuidados?; Apoio financeiro a familiares: continuar apoiando financeiramente filhos/netos e, em caso afirmativo, sob quais condições? (por exemplo: financiar estudos, ajuda com aluguel); Presentes e doações: continuar dando presentes de aniversário ou casamento, ou doações periódicas a instituições? E até mesmo o manuseio de fundos no período inicial após a morte.
Mecanismos de supervisão, comunicação e tomada de decisão - Uma parte crítica para evitar disputas e garantir que a procuração seja implementada corretamente. Entre outras coisas, vale a pena considerar: Nomear uma "pessoa informada": definir uma pessoa próxima (que não é o procurador) a quem o procurador é obrigado a informar sobre decisões importantes ou sobre a ativação da procuração; Divisão de funções entre os procuradores, se mais de um for nomeado: eles agem juntos e exigem consentimento mútuo para cada ação, agem conjunta e solidariamente onde cada um pode agir sozinho, existe uma divisão de áreas (por exemplo: um cuida das propriedades, o outro das questões médicas); Mecanismo de resolução de disputas: como decidir em caso de desacordo entre os procuradores? (por exemplo: um árbitro, ou determinar que um deles tem a palavra final).
As instruções em uma Procuração Duradoura podem ser gerais ou específicas, e recomenda-se encontrar o equilíbrio que conceda flexibilidade aos procuradores juntamente com a preservação das linhas vermelhas da pessoa. É muito importante que o documento seja redigido e assinado apenas perante um advogado experiente de um escritório com seguro profissional adequado e mecanismos de supervisão internos, porque, em última análise, a procuração só será ativada em uma fase na qual seu criador não poderá mais expressar sua vontade e, portanto, é importante que o documento seja redigido da melhor forma.

