Nesse contexto, deve-se considerar o fato de que, em 2014, um projeto de lei do governo foi apresentado ao Knesset, que buscava ancorar na lei uma determinação explícita de que um pedido de mandado de busca - incluindo a busca de um computador - poderia ser julgado ex parte (o Projeto de Invenção, Busca e Apreensão, mencionado acima). No entanto, como o projeto foi abandonado - suas disposições não devem ser interpretadas na lei vigente, e certamente não quando envolve violação de direitos básicos como o direito a uma confissão e o direito a um julgamento justo - da qual deriva a regra de que uma audiência deve ser permitida na presença das partes de um processo cujos direitos possam ser afetados pelo resultado, mesmo que o assunto esteja sendo investigado.
Na ausência de qualquer outra disposição explícita na lei, a presunção interpretativa quanto à existência do direito a uma petição para o interrogado perante o tribunal ordena a emissão de um mandado de busca em um computador, o que provavelmente infringirá seu direito à privacidade, exceto em casos em que haja uma base razoável para preocupação de que a busca será frustrada ou a investigação será interrompida como resultado. Está claro que o fato de que os tribunais, na prática, realizarem audiências sobre pedidos desses mandados de busca ex parte não contradiz essa presunção interpretativa.
- Além disso, conforme detalhado acima, em 2005 a legislatura estabeleceu uma disposição única que se aplica apenas a mandados de busca em computadores, segundo a qual o mandado incluirá detalhes dos termos da busca - o que limitará e reduzirá a violação da privacidade envolvida na busca.
A implementação da distinção estabelecida pelo legislativo entre um mandado de busca em imóveis e um mandado de busca em um computador - no qual seus propósitos e termos devem ser incluídos de forma a minimizar a violação da privacidade - exige uma reavaliação da prática que se enraizou nos Tribunais de Magistrados de não realizar audiência sobre pedidos de mandados de busca em computadores na presença das partes. Isso porque o tribunal tem capacidade limitada para determinar todas as considerações que deve examinar à luz das disposições da seção 23A da Portaria de Busca, quando a audiência é realizada ex parte. Realizar uma audiência na presença do proprietário ou detentor do computador pode contribuir tanto para examinar a necessidade da busca; quanto para examinar seu escopo.