A autora admitiu que o documento R&C, ou seja, termos e condições, foi dado para revisão no início da relação com o réu, mas que esse documento também era longo e complexo. "Eu li", ela testemunhou, soando confiante para mim, "mas é como abrir uma conta em um banco, você não consegue ler as 20 páginas que contém" (ibid., p. 11, parágrafos 30-32).
Quarto, receio que esses "bônus", que não existiam e não foram realmente criados, já que o réu não insistiu em devolvê-los ao final do compromisso, não tinham a intenção de ajudar a autora, mas apenas aprofundar o buraco em que ela se encontrava. É inconcebível que o aconselhamento de investimento também inclua a colocação de dinheiro à disposição do investidor, de modo que ele seja apresentado inicialmente como dado incondicional e sem qualificações, e então se verifique que se busca contraprestação por isso. Minha conclusão é que, na prática, esses bônus têm a intenção de esconder dos olhos do cliente as verdadeiras perdas que sua conta sofreu - em relação às quantias que o cliente retirou do próprio bolso - e para incentivá-lo a gastar dinheiro adicional apesar de suas perdas.
Quinto, foi provado perante o tribunal sem qualquer dúvida que os representantes do réu 1, que acompanharam os clientes-investidores, usaram pseudônimos deliberadamente. A Sra. Asses acrescentou em seu depoimento: "O nome que usei [foi] 'Kate' [e o sobrenome: 'Miller']. Disseram-nos que vale a pena ter um nome internacional" (ibid., p. 3, parágrafos 27-32). Essa deturpação era completa, pois não apenas nomes e sobrenomes foram inventados, mas os endereços de e-mail ancoravam esses pseudônimos como se fossem os nomes reais dos correspondentes.
Fiquei me perguntando o que é menos internacional no nome "Michal" (você também pode dizer: "Michel") do que no nome: "Giovanni", por exemplo, mas isso não é o principal. O principal é que os representantes da empresa conscientemente usaram nomes e sobrenomes que não são os seus, e isso no decorrer de uma relação contínua, oral e escrita, com os clientes. "É verdade", respondeu o réu 2 em seu contra-interrogatório, "não me lembro exatamente dos nomes, mas é verdade que todos tinham pseudônimos" (ibid., p. 29, parágrafos 25-29). "Não vejo problema com pseudônimos", continuou, "acho que é uma prática bem conhecida que também é feita em empresas muito grandes quando se chama o atendimento ao cliente" (ibid., p. 30, parágrafos 34-37). Infelizmente, não compartilho desse pensamento. Em uma relação do tipo de aconselhamento e gestão de investimentos, que não é "atendimento ao cliente" e que é de grande importância para o grau de confiança entre as partes, bem como para o conhecimento e experiência individual dos representantes específicos, essa conduta me parece muito difícil. Isso não contribui, é eficácia, para a conclusão de que o réu agiu de boa-fé.