"Na prática, pode-se dizer que a empresa não possui um conselho de administração (e, em qualquer caso, não é possível realizar reuniões do conselho e tomar decisões sobre a questão da empresa na ausência de quórum legal)... Das poucas atas apresentadas pelos autores, emerge um quadro segundo o qual, até 1998, eram realizadas reuniões regulares do conselho de administração, que discutiam todos os assuntos relevantes para a administração da empresa e recebiam relatórios sobre o que estava acontecendo na empresa... A partir de 1998, nenhuma reunião do conselho de administração foi realizada 'em um minian legal', as atas são apenas parciais, e a pessoa que as assinou é apenas Pinkowitz (e, em um caso, até Revas afirma que sua assinatura foi falsificada)... É mais correto dizer, à luz das provas, que [os diretores] estavam 'incapacitados' de cumprir suas funções" (parágrafos 168 e 172 da decisão do julgamento; ênfases adicionadas, Z.Z.).
- Os próprios diretores, em seus depoimentos e petições, também apresentaram um quadro semelhante, que indica que não estavam cientes do alcance das decisões sobre a transferência de fundos da empresa para a subsidiária, não compreenderam as implicações dessas decisões e não fizeram esforço especial para superar as lacunas de informação e sua falta de habilidades. Assim, por exemplo, Ravas disse em seu depoimento no tribunal de primeira instância que:
"Infelizmente, fui um pouco ingênuo. Eu acreditava em tudo e, pior ainda, confiava na equipe financeira, que o que estava escrito no relatório, ou o que ele dizia, era baseado em ... Ele disse que a fábrica era lucrativa e todos acreditavam nisso. De fato, havia especialistas sentados ali, então não tive dúvidas" (transcrição da audiência de 23 de janeiro de 2008, p. 12).
Mais tarde, quando questionado se tinha conhecimento do alcance das transferências de dinheiro para a subsidiária, respondeu: "Em nenhuma circunstância eu teria recebido tal coisa, nem recebi essa informação... Eu não fazia ideia do que li no arquivo agora que ele gastou milhões, 20 milhões ou um pouco menos nos prejuízos da fábrica" (transcrição da audiência de 23 de janeiro de 2008, p. 13).