"Quero que fique claro, eu entrei em contato, você sabe por que entrei em contato? Afinal, vi que em uma de suas investigações meu mestre escreveu que fizemos isso para ficar ricos. Se eu quisesse ficar rico, esta é uma citação sua, e eu recorreria a você. O calote da Osip, que detém 604.000 opções em trust como parte do que me foi dado, foi simplesmente vendido e eu aceitaria o dinheiro. Se eu quisesse ficar rico."
De fato, se formos para a opinião do autor, maximizar o interesse pessoal de Levy e Ashkenazi deveria ter sido a venda das opções no mercado. Mas, como mencionado, Levy e Ashkenazi não agiram dessa forma.
- Outro argumento do autor é que sua posição sobre a existência de "problemas" na perfuração também deve se basear no fato de que, na reunião do conselho de administração em 7 de setembro de 2013, Ashkenazi disse: "Há várias dúvidas, não apenas um problema de orçamento, mas também alguns dos dados obtidos dos registros eram problemáticos" (Página 2 da ata da reunião do Conselho de Diretores). Em relação a essa alegação, Ashkenazi alegou que se referia aos problemas técnicos existentes na época dos testes e rejeitou a posição do autor como se quisesse dizer que havia "problemas na perfuração" (Ashkenazi em depoimento na moção de Halfon, pp. 82, 11-27 e 84, 25-35; transcrição da audiência de 21 de janeiro de 2024, páginas 26, 10-12).
Um exame do contexto das declarações de Ashkenazi mostra que elas foram feitas após Levy descrever a forma como os testes de produção foram realizados (transcrição da audiência de 7 de setembro de 2013). Portanto, há uma base para a afirmação de Ashkenazi de que suas palavras foram feitas no contexto do desempenho técnico dos testes e não em relação à taxa de poros. Deve-se notar que as atas do Comitê de Operações e da reunião do Conselho de Diretores indicam que houve de fato dificuldades técnicas na realização dos testes de registro elétrico (veja as palavras de Domer no Apêndice 6 da declaração de defesa; palavras de Levy citadas no parágrafo 66 acima; testemunho de Levy no pedido de Halfon, p. 67, 4-21). De qualquer forma, mesmo que isso tenha sido dito em relação aos dados obtidos nos testes de registros elétricos, não é possível atribuir a eles um significado que vá além do que foi dito por Domer e Levy, que elaborei acima. Essa conclusão é apoiada pelo fato de que mesmo os presentes na reunião do conselho não se identificaram com as declarações de Ashkenazi como se contivessem uma declaração diferente ou mais séria do que foi dito por Levy e Domer. A isso, deve-se acrescentar que, em relação a Ashkenazi, não foi alegado, e certamente não foi provado, que ele tinha expertise no campo da exploração de petróleo.
- O autor ainda argumenta que o fato de os réus terem preparado o texto do relatório de 8 de setembro de 2013 com antecedência indica que era importante para eles preparar uma versão positiva, a fim de apresentar um quadro positivo e atrair investidores a investir em ações. Segundo o autor, a isso devem ser acrescentadas as declarações de Ashkenazi ao final da reunião, de que é importante manter confidenciais as informações às quais foram expostos. Segundo o autor, a intenção de Ashkenazi era manter confidenciais os resultados dos testes de registro elétrico, e a isso deve ser acrescentada a pressão exercida por Levy e Ashkenazi sobre os membros do conselho diretor para aprovar a redação do anúncio ao público.
Levy abordou essa alegação do autor e esclareceu que um rascunho de decisão havia sido preparado antecipadamente, que ele até mesmo havia mostrado a Ashkenazi como presidente do conselho antes da reunião, ao mesmo tempo em que esclareceu que eles não pretendiam influenciar o conselho de administração na tomada de sua decisão (páginas 24, parágrafos 16-29 da ata de 21 de janeiro de 2024):